sábado, 16 de novembro de 2013

O que causou a crise econômica mundial entre 2008 e 2009?

A causa da crise que vivemos foi o desequilíbrio na maior economia do mundo, os Estados Unidos. E os ataques de 11 de setembro têm a ver com isso. "Depois da ofensiva terrorista, o governo americano se envolveu em duas grandes guerras, no Iraque e Afeganistão, e começou a gastar mais do que deveria", diz Simão Davi Silber, professor do departamento de economia da Universidade de São Paulo (USP). Para piorar a situação, ao mesmo tempo em que o país investia dinheiro na guerra, a economia interna já não ia muito bem - uma das razões é que os Estados Unidos estavam importando mais do que exportando. Em vez de conter os gastos, os americanos receberam ajuda de países como China e Inglaterra. Com o dinheiro injetado pelo exterior, os bancos passaram a oferecer mais crédito, inclusive a clientes considerados de risco. Aproveitando-se da grande oferta a baixas taxas de juros, os consumidores compraram muito, principalmente imóveis, que começaram a valorizar. "A expansão do crédito financiou a bolha imobiliária, já que a grande procura elevou o preço dos imóveis", diz Silber. Porém, depois disso, chegou uma hora em que a taxa de juros começou a subir, diminuindo a procura pelos imóveis e derrubando os preços. Com isso, começou a inadimplência - afinal, as pessoas já não viam sentido em continuar pagando hipotecas exorbitantes quando as propriedades estavam valendo cada vez menos.
Nesse momento, faltou dinheiro aos bancos, que em um primeiro momento foram ajudados pelo governo americano. Só que, ao mesmo tempo, surgiram críticas a essa política de socorro aos banqueiros. Frente à pressão política, a Casa Branca decidiu que não ia mais interferir, deixando o banco Lehman Brothers quebrar. O fechamento do quarto maior banco de crédito dos Estados Unidos causou pânico e travou o crédito. Chegou a crise, que prejudica também o nosso país. "Sem crédito internacional, também diminui o crédito no Brasil, caem as exportações e o preço das nossas mercadorias aumenta o risco e a taxa de juros", explica Silber. O economista também afirma que as recessões são recorrentes, mas essa é maior do que de costume. "Uma crise dessa intensidade não é comum, a mais parecida com ela foi a de 1929", afirma Silber.
158 anos, cerca de 10 mil funcionários, quarto maior banco de investimentos dos Estados Unidos: assim era o banco americano Lehman Brothers até 2008, quando foi protagonista da maior falência da história americana.
Há exatamente três anos, em 15 de setembro de 2008, a instituição pediu concordata – um modo mais suave para a palavra falência, que preserva os créditos dos devedores, já que vinha acumulando prejuízos com a crise hipotecária dos EUA.

A quebra do Lehman Brothers representa um marco: a falência do banco desencadeou a crise econômica daquele ano, que se arrastou por 2009 e ainda gera reflexos em várias economias mundiais.
Em efeito dominó, outras grandes instituições financeiras quebraram. Em poucos dias, houve a falência técnica da maior empresa seguradora dos Estados Unidos - a AIG (American International Group).
O PIB (Produto Interno Bruto, que é a soma de todas as riquezas do país) da zona do euro teve uma queda de 1,5% no quarto trimestre de 2008 em relação ao trimestre imediatamente anterior - a maior contração da história da economia da zona econômica.
No Brasil não foi diferente, grandes empresas como Sadia, Votorantim e Aracruz Celulose registraram perdas bilionárias.

Entenda a crise da economia dos EUA e sua extensão

Ontem ocorreu um fato histórico na Bovespa. O circuit breaker, mecanismo automático de interrupção dos negócios em caso de forte queda, foi acionado (entenda a importância bolsa de valores). Isso tudo por temor de que a crise dos EUA não termine tão cedo. Mas afinal, por que a crise é tão séria? O que tudo isso, aliás, pode influenciar na sua vida? Para falar disso, precisaremos conhecer um pouco mais da maior potência econômica, militar e política de toda a história da humanidade: os Estados Unidos da América.

Com pouco mais de 300 milhões de habitantes, os EUA possuem um PIB de aproximadamente US$13,8 TRILHÕES. Para efeito de comparação, os países da União Européia (num total de 27 países até 2008, incluindo 4 países do G8 – grupo dos países mais ricos do mundo e mais a Rússia - que são Alemanha, Itália, França e Reino Unido) é de US$16,8 TRILHÕES. Como se vê, sozinho os EUA produzem quase o mesmo que todo o bloco europeu. Sozinho, os EUA importam US$ 2 TRILHÕES em produtos e serviços do resto do mundo. Pela bolsa de Nova York são negociados US$35 TRILHÕES em ações todo ano. Na bolsa NASDAQ, voltada para ações de empresas do ramo tecnológico, são outro US$17 TRILHÕES. Com estes números, fica evidente que quando falamos de EUA, falamos em valores realmente vultosos de dinheiro. É o centro do capitalismo.

E como começou toda esta crise? Há muitos sites dando ótimas explicações, a começar pela Folha. Faço aqui um resumo e compilação do que li em diversos sites e blogs de economistas, num passo-a-passo do que levou à crise:

1 - logo depois da crise das empresas "pontocom", em 2001, o Federal Reserve (Fed, o BC americano) passou a reduzir sua taxa de juros, a fim de baratear empréstimos e financiamentos e encorajar consumidores e empresas a voltarem a gastar;

2- funcionou! Os consumidores voltaram a comprar. Com a compra aquecida de imóveis, os preços destes começaram a subir. Os imóveis viraram fonte de investimento: compra-se barato hoje para, num futuro, revender por um preço maior e lucrar com a diferença, ou simplesmente ter a garantia de um investimento valorizado;

3 – cresceu a procura por hipotecas, ou seja, os americanos pediam dinheiro emprestado aos bancos dando como garantia de pagamento as suas próprias casas. Usavam este dinheiro para consumir mais e mais e, inclusive, comprar mais de uma casa;

4 –grandes empresas hipotecárias começaram a emprestar dinheiro para uma classe de mau-pagadores e mesmo de inadimplentes, a chamada “subprime”. Neste caso, claro, os juros pelo risco é maior, o que garante maiores lucros para a empresa que empresta o dinheiro. E estamos falando aqui em muito dinheiro em hipoteca. Para se ter idéia, Fannie Mae e Freddie Mac (duas grandes hipotecárias) detinham quase metade dos US$12 TRILHÕES em hipotecas dos EUA;

5 - a partir de 2001, as financiadoras deste segmento começaram a 'empacotar' este crédito e venderam estas carteiras para bancos de investimento. Desta forma, elas recebiam antecipadamente o valor das operações. E os investidores recebiam o valor emprestado e mais o juro que, no segmento subprime, é bem maior. Este retorno mais elevado atraiu gestores de fundos e bancos em busca de retornos maiores. Para se ter uma idéia, hoje, 4 em cada 5 hipotecas estão vendidas e só uma está com o credor original;

6 – mas o Fed precisou aumentar os juros e o consumo diminuiu e começaram a comprar menos imóveis, o que fez o preço dos mesmos começar a cair. Logo, aqueles títulos hipotecários começaram a perder valor. Surgiu, ainda, a inadimplência devido a um crescimento menor da economia, maior desemprego e custo de vida. As pessoas começaram a deixar de pagar as hipotecas;

7 – os bancos emprestam entre si dinheiro. Mas com o cenário de possível inadimplência nas hipotecas subprime, os bancos não queriam mais emprestar dinheiro entre si, pois um não sabia se o outro estava lastreado sobre o pagamento daquelas hipotecas que não seriam pagas, ou seja, podres. Com isso, o valor dos títulos lastreados em hipotecas despencou e o juro no empréstimo interbancário aumentou. É a chamada “crise de confiança”, ou seja, com medo de que o banco tomador do empréstimo não possa pagar, os bancos param de emprestar dinheiro entre si;

8– acontece que as pessoas e empresas precisam retirar dinheiro do banco. Querem fazer um saque para consumir, investir, ou pagar impostos, por exemplo. E os próprios bancos precisam financiar ou rolar dívidas deles próprios, contraídas em operações cotidianas. Então os bancos, muitas vezes, sem ter dinheiro próprio suficiente, precisam de crédito para cobrir temporariamente esta despesa. Com este crédito restrito devido aos altos juros, os bancos não conseguem garantir que haverá dinheiro para as pessoas retirarem e nem para pagar suas dívidas. E aí, diz-se que o banco está com problema de insolvência;

9 – aqui é quando entram os Bancos Centrais, injetando dinheiro a juros baixos para garantir dinheiro no caixa dos bancos. Se isso não resolver, a solução é abrir falência (e sim, se você tivesse dinheiro lá ele simplesmente sumiria) ou tentar que alguém compre o banco e garanta dinheiro no caixa. Diversos bancos tradicionais acabam sendo incorporados por outros ainda maiores, numa tentativa de evitar uma quebradeira e, pior, uma crise de confiança, aonde todos iriam aos seus bancos retirar seus dinheiros e aí todos os bancos quebrariam de uma só vez. Outro problema: se você perde seu dinheiro, você não compra. Então, há menos consumo, menos emprego e, assim, ainda menos dinheiro circulando. Agora, lembre-se que não são apenas pessoas que têm dinheiro em bancos: empresas também guardam seu dinheiro lá para pagamento de dívidas e investimentos. Dá para vislumbrar o estrago que seria se esse dinheiro sumisse;

10 – mas além dos bancos, as hipotecas que deixam de ser pagas espalham o prejuízo e desconfiança por toda a cadeia daqueles que compraram títulos lastreados em hipotecas. No início deste ano, investidores estrangeiros detinham nada menos que US$ 1,5 trilhão em títulos da Fannie Mae e Freddie Mac. Ou seja, os estrangeiros podem não receber o dinheiro e não conseguiriam honrar suas dívidas e pagamentos. Então, imagine que lá na China comece a ocorrer o mesmo. Os bancos de lá não sabem quem está lastreado sobre títulos hipotecários “podres” dos EUA, e decidem emprestar dinheiro a juros ainda mais altos, dificultando o crédito. Os bancos que não conseguem crédito o suficiente, acabariam falindo, o dinheiro sumiria do mercado, as pessoas consumiriam menos, produziriam menos, teria mais desemprego, etc.

11 - neste cenário onde as pessoas consomem menos sobra mais comida, petróleo, ferro. Se há mais oferta que demanda, o preço destas “commodities” cai. Se o preço delas cai, os produtores que possuem contratos que serão pagos no futuro, ficam no prejuízo. Afinal, você produz sua commodity com os custos de hoje, mas no futuro ela fica muito mais barata e o pagamento que você recebe não paga nem o custo de produção. No vermelho, você precisa de mais dinheiro emprestado dos bancos, mas os bancos não estão mais emprestando tão facilmente e o produtor também pode vir a quebrar. E mesmo quando você consegue produzir, muitas vezes precisa de crédito para custear o envio da produção para outro país, por exemplo. E este empréstimo também ficaria dificultado em caso de retração da oferta de crédito. Com isso você não consegue vender por um preço bom, não cobre suas dívidas e demite funcionários. Menos dinheiro circulando, mais desemprego, menos consumo. E assim temos um ciclo infinito de mais desemprego e menos consumo - é a chamada recessão.

É importante frisar aqui que o crédito é muito importante no mundo capitalista. A escassez do mesmo faz as engrenagens emperrarem. Como a desconfiança é generalizada pelo mundo, todo o sistema capitalista pode sofrer um solavanco e entrar em recessão junto com o coração dele, os EUA, que foram irresponsavelmente os criadores de um buraco sem fim de empréstimos que poderá tragar o resto do mundo. Como se vê, o modelo neoliberal permitiu que os mercados ultrapassassem o limite da irresponsabilidade. E agora, para arrumar o prejuízo, será necessário dinheiro de quem não tem nada a ver com a história: dos contribuintes pagadores de impostos





O mundo vive a era do domínio das novas tecnologias

O mundo vive a era do domínio das novas tecnologias. Novas mídias surgem a cada dia. Sob este contexto, o ensino deve também sofrer avanços, adaptar-se às novas linguagens e outras formas de conhecimento. E tornar-se mais atraente e dinâmico, facilitando o processo da aprendizagem. Entre essas mídias está o CINEMA, que pode ser um poderoso instrumento de apoio ao ensino na sala de aula. Com o objetivo de apresentar o cinema como ferramenta de uso pedagógico em todos os níveis de ensino e em varias áreas do conhecimento.
Com inscrições abertas o concorrido curso “Cinema como recurso pedagógico” oferecido pela UNAMA ganha sua 2ª turma para turno da noite. O curso terá 10 aulas que irão apresentar técnicas para trabalhar com a linguagem áudio-visual, contribuindo para leitura adequada de um filme, explorando-o numa perspectiva educativa e interligando o cinema as aulas de História, Geografia, Língua Portuguesa, Estudos Sociais, entre outros. O curso pretende ainda auxiliar os profissionais e estudantes da área na abordagem de temas transversais como: Meio Ambiente, Pluralidade Cultural, Ética, Saúde e Trabalho, Relações Sociais, Racismo, etc.

O curso será ministrado pelo cineasta João Inácio que já trabalha há dez anos na produção e exibição de cinema. Desenvolveu por sete anos o projeto Cinema BR em Movimento no Estado do Pará, trabalhando a distribuição alternativa de filmes e a inserção da linguagem cinematográfica na grade curricular de escolas públicas. No final de 2006, foi o Roteirista Premiado no concurso de Apoio à Produção de Obras cinematográficas Inéditas promovido pelo Ministério da Cultura. O roteiro de seu curta metragem 'Shala' foi um dos 20 vencedores de todo o Brasil.

Dentro do programa do curso, será estimulado a percepção e a construção social do olhar; a importância do receptor; a imagem fixa o quadro e a construção do espaço, além de aspectos psicológicos que envolvem a recepção e o papel do educador no desenvolvimento de maneiras mais atentas do ver.
Serão também abordados os elementos da linguagem cinematográfica. Como os elementos estruturais: plano, angulação, movimentos de câmera, montagem e através da história do cinema, enfatizar os elementos que possibilitam a criação de significados nas linguagens audiovisuais, especialmente a cinematográfica.
Reflexões sobre o conceito de realidade e a representação nos documentários é outro aspecto importante nas discussões proposta no curso. Os documentários como abordagens fidedignas sobre as “reflexões” do mundo. As questões multiplicidade de visões e de interpretações de fatos e da existência.
A Literatura, a comunicação e a educação também terão seus conceitos de adaptação cinematográfica, discutidas através de obras cinematográficas e videográficas como adaptações literárias. Assim como especificidade de cada uma das linguagens, incluindo a música, o teatro, as artes plásticas e gráficas, os quadrinhos e outras.
O curso propõe o uso orientado de recursos didáticos adequados ao ensino da linguagem audiovisual. Assim como descrição e realização de exercícios de percepção, de facilitação de leituras visuais e de criação através das linguagens visuais na sala de aula.
De acordo com Inácio, a partir desse aprendizado o educador irá dispor de mais um recurso importante para tornar o ensino mais atraente e produtivo. O Cinema não deve substituir a aula formal, e sim ser utilizado como um instrumento completando o aprendizado de sala de aula. Considerando também que a obra cinematográfica torna-se facilitador das discussões derivadas do filme e suas entrelinhas, possibilitará trocas interpessoais, reforçando os laços de amizade e o crescimento individual de alunos e professores. E ainda, criando chances para que ambos produzam debates e refletir a respeito de temas variados que certamente fomentará a construção de uma vasta discussão possibilitando o educador a exercer literalmente seu papel na formação de cidadãos críticos, em busca de uma sociedade melhor.